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“O tráfico transatlântico de escravos africanos tomou no Brasil uma dimensão inédita no...

“O tráfico transatlântico de escravos africanos tomou no Brasil uma dimensão inédita no Novo Mundo. Do século XVI até 1850, no período colonial e no imperial, o país foi o maior importador de escravos africanos das Américas. Foi ainda a única nação independente que praticou maciçamente o tráfico negreiro, transformando o território nacional no maior agregado político escravista americano. Consubstancial à organização do Império do Brasil, a intensificação da importação de escravos africanos após 1822 explica a longevidade do escravismo até sua abolição, em 1888.”


(ALENCASTRE, Luiz Felipe de. In: SCHWARCS, Lília M. e GOMES, Flávio. “Dicionário da escravidão e liberdade”. São Paulo: Cia das Letras, 2018, p. 57)


Sobre a estrutura e dinâmica do sistema escravista brasileiro, identifique o item incorreto:


A

Alencastre observa que o número de 14.910 viagens negreiras transcorridas nos três séculos de tráfico negreiro atinja 4,8 milhões de africanos aportados no Brasil.


B

O site Trans-Atlantic Slave Trade Database, organizado por David Eltis e David Richardson, com colaboração de brasileiros, a exemplo de Manolo Florentino e Daniel Domingues, oferece um grande panorama com cerca de 36 mil viagens negreiras. O volume de informações permitiu mensurar em mais de 5 milhões a quantidade de africanos escravizados adentrados no Brasil.


C

Alencastre calcula em 750 mil portugueses aportados no Brasil entre 1500 e 1850. Ou seja, a cada 100 pessoas desembarcadas no Brasil, 86 eram escravos africanos e 14 eram colonos e imigrantes portugueses.


D

Alencastre entende duas áreas principais de onde vieram os escravos africanos: a primeira, a baía do Benin e golfo do Biafra, origem de 999.600 indivíduos desembarcados; a segunda, o CentroOeste africano, sobretudo Angola, de onde saíram 3,656 milhões de indivíduos.


E

A abertura comercial, somada à abolição do tráfico negreiro atlântico em EUA e Inglaterra, produziu um grande volume excedente de escravos absorvidos pelo mercado brasileiro. Essa hegemonia econômica e política do Rio de Janeiro foi fundamental para a afirmação da soberania do governo central sobre o território da América portuguesa e para a construção do Estado Nacional.