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Leia este trecho:
“Estamos num mundo ao qual já não pertenço. O que conheci, o que amei, tinha 2,5 bilhões de habitantes. O mundo atual conta com 6 bilhões de seres humanos. E o do amanhã, povoado por 9 bilhões de homens e mulheres – mesmo se for o pico da população, como nos asseguram para nos consolar –, proíbe-me qualquer previsão”.
LÉVI-STRAUSS, Claude. Longe do Brasil. São Paulo: Unesp, 2011, p. 57.
A frase de Claude Lévi-Strauss expressa o seu espanto com relação à intensidade das transformações que presenciou ao longo de sua vida. A passagem histórica que o antropólogo francês faz referência, conforme teóricos da história ambiental como Jacques Grinevald e John McNeill, liga-se a mudanças de ordem social e econômica marcadas pela
explosão demográfica que apontava para a iminência de uma crise populacional decorrente da II Grande Guerra, corroborando o neomalthusianismo que visualizava o crescimento demográfico como agente das crises econômicas.
invenção de tecnologias baseadas no uso de combustíveis fósseis, responsáveis pelo crescimento da população, da estrutura urbana-industrial e do consumo em nível global, levando à denominação “Era Fossilista” para essa etapa histórica.
imposição da noção de “crescimento” como um valor social, que se baseava nos pressupostos da ideia de mercado, a qual conduzia o mundo a um processo de intensificação dos fluxos de comércio e de capitais mais abertos no pós-guerra.
promoção da teoria do crescimento endógeno, que sugeria a intervenção estatal para o desenvolvimento social, embasando a política desenvolvimentista que alterou profundamente países em desenvolvimento no decorrer do século XX.
manutenção de formas de dominação e exploração criadas no século XIX, as quais levaram à intensificação da pobreza e da desigualdade social, responsáveis pelo crescimento populacional intenso verificado em países subdesenvolvidos.