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Desde o início da presença portuguesa no continente americano, durante o século XVI, pegando como referência o Tratado de Tordesilhas, assinado por Portugal e Espanha em 1494, o atual estado do Mato Grosso pertenceu à coroa espanhola. Apenas com a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, o território mato-grossense foi reconhecido como território português.
No decorrer do século XIX, assim era relatada a vida e o cotidiano dos habitantes de Mato Grosso, segundo Priore (2016):
“E assim se enchiam os dias. Com agenda tão restrita, os mato-grossenses eram acusados, por viajantes ou funcionários do governo imperial, de serem pouco empreendedores. Quanto ao 'povo' diziam-no preguiçosos: pescar dois peixes no rio, um para comer, outro para vender, bastava. Distrações, só as proporcionadas pela Semana Santa e pelas festas dos padroeiros de irmandades, quando então ocorriam procissões, bailes e leilões de prendas, que sacudiam a modorra das vilas. Nada de óperas ou teatros, motivo de queixa de muitas autoridades que ali iam trabalhar.”
(Fragmento extraído de: PRIORE, Mary Del. Histórias da Gente Brasileira. Volume 2: Império. Leya Editora, São Paulo, 2016, pp. 91)
Pode-se se assinalar corretamente como fator que contribuiu para a expansão, o desenvolvimento e a posterior anexação do território de Mato Grosso ao território brasileiro, consolidado pelo Tratado de Madri:
a realização de diversas expedições ao longo do século XVIII, como as Entradas e as Bandeiras, sejam as financiadas pelo governo português, sejam as financiadas pelos bandeirantes paulistas
a realização das Entradas e Bandeiras que, em função do declínio da mineração na região das “Minas Gerais”, transformariam Mato Grosso no maior produtor de ouro e diamantes na América portuguesa
a atividade econômica ligada à produção da borracha, resultante da extração do látex das seringueiras, numa época em que se incorporou não apenas o Mato Grosso como o Acre ao território brasileiro
o empreendimento feito pelos bandeirantes paulistas que, visando suprir o restante da América portuguesa com mão de obra, buscaram apenas apresar nativos e negociá-los como escravos