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Escolhi meu tema como um tributo a Isaac Deutscher, cuja obra mais permanente é um clássico na história da Revolução Russa, ou seja, sua biografia de Trotsky. Assim, a resposta imediata a essa pergunta do título [Podemos escrever a história da Revolução Russa?] é, obviamente, sim.
Mas isso deixa em aberto a questão mais ampla: podemos algum dia escrever a história definitiva de alguma coisa – não apenas a história conforme vista hoje, ou em 1945 – inclusive, é claro, da Revolução Russa? Nesse caso, em um sentido óbvio, a resposta é não, a despeito do fato de que há uma realidade histórica objetiva, que os historiadores investigam, para estabelecer, entre outras coisas, a diferença entre fato e ficção. Somos livres para crer que Hitler fugiu dos russos e se refugiou no Paraguai, mas não foi assim.
(Eric Hobsbawm, Sobre história)
Para Eric Hobsbawm, não é possível “escrever a história definitiva de alguma coisa”, porque
a história é uma ciência preocupada com os grandes acontecimentos da humanidade, e esta escolha impede a reconstrução do passado.
a construção da narrativa histórica utiliza-se dos princípios teóricos importados das ciências naturais e do idealismo hegeliano.
cada geração faz suas próprias perguntas novas sobre o passado, além disso, há uma acumulação quase infinita de registros públicos e privados.
a plena reconstituição do passado das sociedades humanas é possível, mas os historiadores são incapazes de manter a neutralidade nas suas análises.
os acontecimentos do passado, a rigor, existem apenas como um exercício de especulação por parte de pesquisadores e historiadores.