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Leia o texto escrito por José Bonifácio, em abril de 1823...

Leia o texto escrito por José Bonifácio, em abril de 1823.


Poderíamos enfrentar a crise e a oposição daqueles que se dedicam ao tráfico, mas não podemos, sem um grau de risco que nenhum homem em sã consciência possa pensar em correr, tentar no momento presente propor uma medida que iria indispor a totalidade da população do interior [...] A quase totalidade de nossa agricultura é feita por negros e escravos. Os brancos, infelizmente, pouco trabalho fazem, e se os proprietários rurais tivessem seu suprimento de trabalhadores repentinamente cortado, deixo que vossa mercê faça julgamento do efeito que isso teria sobre essa classe de gente desinformada e pouco ilustrada. Se a abolição viesse para eles antes que estivessem preparados, todo o país entraria em convulsão, de uma ponta até a outra, e não há como calcular as consequências para o governo e para o próprio país.


(Apud Kenneth Maxwell, Por que o Brasil foi diferente? O contexto da independência. Em: Carlos Guilherme Mota (org.), Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). Formação; histórias)


Em meio aos debates que ocorriam na Assembleia Constituinte, José Bonifácio


A

aliou-se aos partidos Brasileiro e Português na luta pela imediata extinção do tráfico negreiro, conforme era exigência da Grã-Bretanha, mas defendia que a efetiva proibição da entrada de escravizados no Brasil valesse após 1850.


B

apontava para as contradições da elite brasileira, que defendia que a escravidão precisava ser abolida, ainda que de forma gradual, e, ao mesmo tempo, criava mecanismos legais para colaborar com a ampliação do tráfico negreiro.


C

defendia o fim o tráfico negreiro, mas não via a possibilidade da extinção imediata da escravidão porque havia a probabilidade de efetivação de caos político e social, já que esta instituição era fundamental para as atividades econômicas do país.


D

demonstrava como o tráfico negreiro e, principalmente a escravidão, não eram incompatíveis com os preceitos liberais, porque era necessário considerar a prevalência do direito à propriedade sobre todos os outros.


E

justificava a permanência do tráfico negreiro e da escravidão com o intuito de remover a ideia das Cortes portuguesas de que o Brasil deveria ser recolonizado, condição que não interessava à burguesia comercial portuguesa.