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Se nos detemos nas formas de reprodução da hierarquia socioeconômica do Rio de Janeiro na passagem do século XVIII para o seguinte, nos defrontamos com um movimento aparentemente paradoxal. Parte expressiva da elite empresarial mercantil, após duas gerações de contínua acumulação no mercado, tende a abandonar os seus negócios, passando a investir em atividades rurais e rentistas, em geral bem menos lucrativas do que o comércio.
(João Fragoso e Manolo Florentino, História econômica. Em: Ciro Flamarion Cardoso e Ronaldo Vainfas (orgs.), Domínios da História – Ensaios de teoria e metodologia)
Segundo Fragoso e Florentino, para compreensão da passagem dos negócios mercantis para as atividades rurais e rentistas, é necessário considerar que
ocorreu forte incentivo, por parte da Igreja Católica e mormente da inquisição, para que houvesse a expansão da colônia portuguesa em direção ao oeste, de modo a combater as populações indígenas insurgentes.
manter atividades mercantis e não tratar o processo de colonização como um projeto essencialmente religioso fazia com que os comerciantes fossem desprestigiados pelas autoridades lusas.
mantinham-se, ao longo do processo de colonização, tradições essencialmente medievais em relação à esfera do econômico, que condenavam a acumulação de riquezas, assim como a troca mercantil.
conservar as grandes casas de comércio, voltadas para a exportação e importação de mercadorias, exigia desses comerciantes a aproximação com uma série de ilegalidades, caso do contrabando.
se vivia em uma sociedade na qual a ascensão social ligava-se fundamentalmente à aquisição de terras e cativos, isto é, de bens que em última instância se referem ao prestígio.