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Leia o excerto da obra História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, escrita em 1627.


Já se hão despovoado alguns lugares e sendo a terra tão grande fértil como ao diante veremos, nem por isso vai em aumento, antes em diminuição.

Disto dão alguns a culpa aos reis de Portugal, outros aos povoadores: aos reis pelo pouco caso que hão feito deste tão grande estado, que nem o título quiseram dele, pois, intitulando-se senhores de Guiné, por uma caravelinha que vai e vem, como disse o rei do Congo, do Brasil não quiseram intitular; nem depois da morte de el-rei D. João Terceiro, que mandou povoar e soube estimá-lo, houve outro que dele curasse, senão para colher as suas rendas e direitos. E deste mesmo modo se hão os povoadores, os quais, por mais arraigados que na terra estejam e mais ricos que sejam, tudo pretendem [sic] levar a Portugal e, se as fazendas e bens que possuem souberam falar, também lhe houveram de ensinar é: papagaio real pera Portugal, porque tudo querem para lá. E isto não têm só os que de lá vieram, mas ainda os que cá nasceram, que uns e outros usam a terra, não como senhores, mas como usufrutuários, só para a desfrutarem e a deixarem destruída.


(Apud Eduardo França Paiva, De português a mestiço: o imaginário brasileiro sobre a colonização e sobre o Brasil. Em: Lana M. de C. Siman e Thais N. de L. e Fonseca, Inaugurando a História e construindo a nação)


A partir do excerto, é correto afirmar que o Frei Vicente Salvador


A

considerava equivocada a escolha da Coroa em colonizar as terras americanas para criar uma colônia de povoamento, para receber os excessos populacionais portugueses.


B

revelou um desprezo, por parte da elite colonial, pela organização político-administrativa do Brasil, já que esta privilegiava as ordens religiosas com isenção fiscal.


C

reconheceu o esforço da Coroa portuguesa em colonizar a América, realizando uma série de investimentos, para beneficiar áreas distantes da capital Salvador.


D

considerou que as posições administrativas portuguesas foram avançadas, ao mesmo tempo em que condenava a falta de afeição às terras americanas.


E

tinha restrições à posição administrativa portuguesa, denunciando a condição de o Brasil estar se tornando uma colônia de exploração e não de povoamento.