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E se houve um momento, nos anos de ouro posteriores a 1945...

E se houve um momento, nos anos de ouro posteriores a 1945, que correspondeu ao levante mundial simultâneo com que os revolucionários sonhavam após 1917, foi, sem dúvida, 1968, quando os estudantes se rebelaram desde os EUA e o México, no Ocidente, até a Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia, socialistas, em grande parte estimulados pela extraordinária irrupção de maio de 1968 em Paris, epicentro de um levante estudantil continental. Estava longe de ser a revolução, embora fosse consideravelmente mais que o “psicodrama” ou “teatro de rua” descartado por observadores velhos e não simpatizantes como Raymond Aron.


(Eric Hobsbawm, Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. Texto adaptado)


Para Hobsbawm, 1968 não foi revolução porque


A

o radicalismo das centrais sindicais francesas assustava as lideranças estudantis, que optaram por não estabelecer alianças táticas com os trabalhadores.


B

os estudantes, por mais numerosos e mobilizáveis que fossem, não podiam fazê-la sozinhos, ainda que tivessem provocado ondas grevistas na França e na Itália.


C

a radicalidade dos estudantes era superficial, o que afastou a possibilidade de outros grupos franceses fazerem alianças com esses estudantes.


D

a proposta das entidades estudantis era de apenas modernizar o sistema de acesso aos cursos universitários e as metodologias de ensino.


E

as forças políticas progressistas mais organizadas na França entendiam que o projeto dos estudantes era ingênuo e reformista.