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Foi grande o impacto da invasão da Etiópia (Abissínia) pelas tropas de Mussolini, em 1936, sobre a mobilização da consciência pan-africana naquela década.
(Elisa Larkin Nascimento, Lutas africanas no mundo e nas Américas. Em: Elisa Larkin Nascimento (org.). A matriz africana no mundo)
Segundo Nascimento, tal impacto esteve relacionado
à grave violação do direito internacional, especificamente de uma cláusula do Congresso de Berlim, que havia deliberado que a Abissínia e o Egito se tornariam domínios coloniais franceses.
à condição da Abissínia, que era um símbolo da história soberana dos povos africanos, pois foi o único país que efetivamente derrotou uma potência colonizadora, em fins do século XIX.
ao fato de os governantes da Abissínia, ao longo das duas primeiras décadas do século XX, terem negociado a sua independência política com as principais nações colonizadoras europeias.
às deliberações do 4o Congresso Pan-Africano, que apontavam para uma reorganização das fronteiras nacionais na África, com a partilha do território da Abissínia com o Sudão e a Eritreia.
à desobediência das orientações da Liga das Nações, que entendia que os Estados nacionais presentes no Magreb não poderiam estar sujeitos a qualquer forma de domínio extraterritorial.