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Das figuras políticas, é interessante destacar como têm sido representados os dois imperadores do Brasil: D. Pedro I, sempre jovem, porque afinal morreu aos 34 anos; seu filho D. Pedro II, sempre velho, apesar dos textos escolares darem destaque ao episódio da “Maioridade” que tornou D. Pedro II chefe de Estado com apenas 15 anos. A ilustração do pai jovem e do filho velho tem causado uma certa perplexidade aos jovens leitores e falta a explicação do aparente paradoxo.
(Circe Bittencourt, Livros didáticos entre textos e imagens. Em: Circe Bittencourt (org.), O saber histórico na sala de aula.)
Para Circe Bittencourt, o que explica esse aparente paradoxo é a condição de que
a representação de Dom Pedro I sempre muito jovem foi utilizada pelos seus opositores liberais ao longo do I Reinado, para que o imperador fosse associado a comportamentos impulsivos.
a legitimidade do sistema monárquico foi consolidada por Dom Pedro I, por meio de um governo liberal, enquanto grande parte do reinado do seu filho esteve marcado por graves crises político-institucionais.
as representações artísticas do século XIX estiveram atreladas à concepção histórica do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que considerava a ordem monárquica um entrave ao desenvolvimento nacional.
os monarquistas desenvolveram o entendimento de que a juventude de Dom Pedro I representava a ação política constante, e a velhice de Dom Pedro II, a sabedoria do soberano para bem guiar a nação.
a imagem de um Dom Pedro II velho foi construída no período pós-monárquico e demonstra a intenção dos republicanos em explicar a queda de uma monarquia envelhecida que não teria continuidade.