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É importante perceber como a apropriação e a troca entre culturas se desenvolvem, fazendo com que não seja possível, por vezes, afirmar um lugar social estático e permanente para o tratamento de certo grupo. As experiências culturais são necessariamente intercambiantes e fenômenos culturais desse tipo são comuns nos países americanos, podendo-se citar, por exemplo, as culturas nativas do México e as tradições religiosas dos povos andinos, que conjugam a sua raiz axiológica com a tradição cristã.
(In: Debatendo o conceito de diversidade cultural. Acesso em: julho de 2024.)
Para explicar as dinâmicas culturais contemporâneas na América Latina, Garcia Canclini (2000) propõe o termo “culturas híbridas”, entendidas como processos socioculturais nos quais estruturas ou práticas distintas, que existiam separadamente, são combinadas para gerar novas estruturas, objetos e práticas. Dessa forma:
O mais importante é resgatar o resultado desse hibridismo, sem se preocupar em caracterizar as origens selvagens do mesmo.
É possível entender melhor a cultura ameríndia como uma manifestação incompleta e rústica, que ganha valoração a partir dos contatos civilizatórios europeus.
Não caberia apelar para “uma certa pureza dos povos originários e das tradições”, uma vez que essas manifestações culturais são transformadas ao longo da história.
Pode-se afirmar que as culturas pré-colombiana e pré-cabralina complementam, com a miscigenação étnica e cultural, o ideal eurocêntrico divulgado no Ocidente.