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Texto I Um mulato baiano, muito alto e mulato Filho de um...

Texto I


Um mulato baiano, muito alto e mulato

Filho de um italiano e de uma preta hauçá


Foi aprendendo a ler olhando mundo à volta

E prestando atenção no que não estava à vista

Assim nasce um comunista


Um mulato baiano que morreu em São Paulo

Baleado por homens do poder militar

Nas feições que ganhou em solo americano

A dita guerra fria, Roma, França e Bahia


VELOSO, Caetano. Um comunista. Abraçaço. São Paulo: Universal Music, 2012. Disponível em: https://g.co/kgs/MVbap4s. Acesso em: 19 jul. 2024.


Texto II


(Carlos Marighella) Essa mensagem é para os operários de São Paulo, da Guanabara, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, incluindo os trabalhadores do interior para criar o núcleo do exército de libertação

[...]

Mártir, o mito ou Maldito sonhador

Bandido da minha cor

Um novo Messias

Se o povo domina ou não

Se poucos sabiam ler

E eu morrer em vão

Leso e louco sem saber

Coisas do Brasil, super-herói, mulato

[...]

Da Bahia de São Salvador Brasil

Capoeira mata um mata mil, porque

Me fez hábil como um cão

[...]

Confesso que queria

Ver Davi matar Golias

[...]

Não se faz revolução sem um fura na mão

Sem justiça não há paz, é escravidão

Revolução no Brasil tem um nome


RACIONAIS MC's. Mil Faces de um Homem Leal (Marighella). São Paulo: Boogie Naipe, 2017. Disponível em: https://g.co/kgs/q8TVV81. Acesso em: 19 jul. 2024.


Incorporar músicas como recurso didático no ensino de História complementa o processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, o uso das fontes apresentadas no Texto I e Texto II se fundamenta no princípio de que


A

as figuras históricas são projetadas no presente de forma romantizada e descontextualizada.


B

a história se constrói a partir da reprodução do passado e da alegoria da resistência armada.


C

os símbolos de resistência do passado são reavaliados no presente por meio da desmistificação.


D

a Ditadura Militar criou um aparelhamento institucional repressivo simbolizado em Marighella.


E

a cultura imaterial expõe interpretações do passado que se baseiam em demandas do presente.