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Leia o texto a seguir:
O povo assistiu bestializado à Proclamação da República, segundo Aristides Lobo [...].
[...] Havia tribofe na política, na bolsa, no câmbio, na imprensa, no teatro, nos bondes, nos aluguéis, no amor. Não se obedecia nem às leis dos homens, nem à de Deus.
[...]
O povo sabia que o formal não era sério. Não havia caminhos de participação, a República não era para valer. Nessa perspectiva, bestializado era quem levasse a política a sério, era o que se prestasse à manipulação. Num sentido [...], a política era tribofe. Quem apenas assistia, como fazia o povo do Rio por ocasião das grandes transformações realizadas a sua revelia, estava longe de ser bestializado. Era bilontra.
(CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987; p. 140, 158, 160.)
Segundo o texto supracitado, assinale a alternativa correta:
O historiador José Murilo de Carvalho concorda com a afirmação de Aristides Lobo, segundo a qual o povo teria assistido “bestializado” à Proclamação da República no Brasil, de modo que o golpe à Monarquia foi inesperado.
O texto aponta a importância da participação política como prática de um direito cidadão, algo que, já na instauração da República, foi alcançado mediante o voto universal – voto para analfabetos, mulheres e maiores de 21 anos.
O excerto chama a atenção para o fato de José Murilo de Carvalho inovar ao romper com uma versão do evento que vigorou por muito tempo na historiografia: a de que o povo brasileiro teria assistido “bestializado” ao golpe que estabeleceu a Primeiro República no país.
A caracterização da Primeira República foi, para todos os fins, o início de um regime governamental sem trapaça na política e nas eleições, ponderando ser o oposto da Monarquia; mesmo que os brasileiros comuns não “levassem a sério” tal evento.