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Leia parte de uma entrevista com o historiador Peter Burke.
O Renascimento é visto tradicionalmente como parte de uma Grande Narrativa do desenvolvimento da civilização ocidental, desde os gregos e romanos da Antiguidade, passando pelo cristianismo, Renascença, Reforma, revolução científica, Iluminismo, e assim por diante; em outras palavras, como parte do surgimento da modernidade. A história é frequentemente contada de tal modo que se assume a superioridade do Ocidente sobre o resto do mundo. Eu, como outros historiadores, me empenhei em liberar a história de um movimento cultural (o movimento de reviver a arte e o saber clássicos) dos pressupostos de superioridade, não só do Ocidente, como da modernidade.
(Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke. As muitas faces da história – Nove entrevistas)
O esforço de Peter Burke em descentralizar a história do Renascimento esteve relacionado ao movimento teórico de
contextualizar as mudanças culturais ocorridas na Europa por meio das inovações artísticas e técnico-científicas do período.
associar a expansão marítima e comercial europeia dos séculos XV e XVI às transformações culturais e sociais da época.
vincular o desenvolvimento das manufaturas no sul do continente europeu ao financiamento das artes pelos grandes comerciantes.
aproximar a Europa de outros renascimentos, como os ocorridos no Império Bizantino, no mundo árabe islâmico e na China.
discutir o papel dos povos nativos da América e da África na reconfiguração do campo da cultura na Europa renascentista.