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Maria Quitéria fugiu da família para se vestir de homem e lutar como soldado, numa deci...

Maria Quitéria fugiu da família para se vestir de homem e lutar como soldado, numa decisão premeditada e consciente. Foram mulheres rebeldes, insubordinadas, agindo fora das regras e das normas, que ganharam respeitabilidade, transformadas em modelos de esposa e mãe, glorificadas por todas as virtudes cristãs intimamente trançadas com as virtudes patrióticas.


(Maria Ligia Coelho Prado, América Latina no século XIX – Tramas, telas e textos, 1999)


Na discussão sobre a participação das mulheres nas lutas pela independência política da América Latina, Maria Ligia Coelho Prado destaca que a historiografia oficial produzida no século XIX e início do século XX


A

valorizou a notável coragem das mulheres participantes dos movimentos pela independência, indicando que estavam preparadas para aceitar as consequências de suas lutas e de suas escolhas.


B

mostrou que a participação política das mulheres nas lutas pela independência foi mais significativa do que se supunha, revertendo a perspectiva de alheamento da mulher das coisas públicas.


C

constituiu um repertório composto por livros sobre “mulheres célebres”, “mulheres patrióticas” ou “mulheres ilustres”, que deveria servir de lição de moral e fonte de inspiração para os jovens.


D

esqueceu ou ocultou que as mulheres atuaram num circuito identificado com o da política, motivadas por ideias, sentimentos e crenças que as levaram a romper com os padrões sociais e religiosos vigentes.


E

reconheceu a importância das mulheres nos processos de independência, mas subestimou o seu protagonismo, deixando-as em uma condição considerada inferior à das lideranças masculinas.