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“Filho de ex-escravos, crescera na fazenda levando a mesma vida dos pais. Era pajem do sinhô moço. Tinha a obrigação de brincar com ele. Era o cavalo em que o mocinho galopava sonhando conhecer todas as terras do pai. Tinham a mesma idade. [E ele perguntava:] Se eram livres, por que continuavam ali? Por que, então, tantas negras na senzala? Por que todos não se arribavam à procura de outros lugares e trabalhos?”
EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Pallas, RJ: 2023.
Pensando nas raízes históricas do racismo no Brasil, escolha a alternativa que responde as questões levantadas pela autora em seu livro.
A vinculação de escravizados ao cotidiano familiar dos senhores criava relações de afeto entre negros e brancos, que garantiam liberdades e conforto compensatórias aos empregados descendentes de africanos.
Acostumados ao regime de servidão relativa, mesmo após a libertação os negros e seus familiares mantinham-se voluntariamente apegados ao trabalho nas fazendas e às relações de submissão.
A garantia de sobrevivência dos trabalhadores negros nas fazendas estava na remuneração assalariada que os senhores lhes passaram a oferecer para que permanecessem ali e acumulassem recursos.
Libertos por direito, os negros antes escravizados não tiveram a liberdade de fato assegurada, pois marcados racialmente pelo regime anterior não eram vistos pela sociedade como indivíduos livres e capazes.
O regime escravocrata enraizou-se de tal maneira na mentalidade dos negros que, mesmo libertos, eles não conseguiam conceber modos de vida distintos daqueles a que estavam habituados.