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Podemos pensar a cultura como processo, e as identidades coletivas como construções culturais, por isso históricas e relacionais. Nesse modelo, as identidades culturais são literalmente construídas no processo histórico. Não existem antes ou além dele. Dependem, em cada caso, das formas históricas em que as fronteiras entre nós e os outros se constroem, se reproduzem ou se modificam.
Abreu, Martha & Mattos, Hebe. Em torno das “Diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana”: uma conversa com historiadores. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 21, nº 41, p. 8, jan.-jun. 2008. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/eh/v21n41/01.pdf > Acesso em out. 2023.
É correto afirmar que a educação das relações étnico- raciais, ao abordar questões cruciais da formação histórica brasileira, traz à tona importantes propostas epistemológicas e políticas, como as do texto acima, identificadas, respectivamente, pela
consolidação das raízes simbólicas africanas como um legado homogêneo e pela procura de observação das desigualdades.
compreensão dos aspectos mutáveis dos valores culturais afro-brasileiros e pela busca de problematização de hierarquias raciais.
afirmação do fracionamento dos grupos sociais em identidades cristalizadas e pela meta de evidenciar a uniformidade da experiência negra.
consideração da diversidade de comunidades quilombolas e pela intenção de heroificar culturas passadas nas concepções de mundo de minorias étnicas.