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No Brasil, os principais adeptos do liberalismo foram homens cujos interesses se relacionavam com a economia de exportação e importação. Muitos eram proprietários de grandes extensões de terra e elevado número de escravos e ansiavam por manter as estruturas tradicionais de produção ao mesmo tempo que se libertavam do jugo de Portugal e das restrições que este impunha ao livre-comércio. [...].
No decorrer do século XIX, o discurso e a prática liberais revelaram constantemente essa tensão.
(Emília Viotti da Costa. Da monarquia à república: momentos decisivos)
A “tensão” indicada por Emília Viotti é uma referência ao fato de que
os liberais brasileiros se opunham à Coroa portuguesa, na medida em que esta se identificava com os interesses da elite escravagista, sendo, portanto, um movimento de natureza abolicionista, em meio à hegemonia da aristocracia rural.
as estruturas sociais e econômicas que as elites brasileiras desejavam conservar significavam a sobrevivência de um sistema de clientela e patronagem e de valores que representavam a essência do que os liberais europeus pretendiam destruir.
a condição colonial da economia brasileira propiciou a formação de um liberalismo peculiar, que teve suas origens na luta contra as elites portuguesas, contra seu caráter monarquista e colonialista, desejando a República como forma de governo.
a revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo na Europa eram a força motriz para os movimentos de revolta colonial – e não os ideais da Revolução Francesa, conforme apregoado pela historiografia brasileira tradicional.
o status de “civilizado” conferido pela propaganda da ideologia liberal na Europa ganhou ares de intelectualidade e avanço cultural, o que contrastava com a manutenção dos valores da monarquia portuguesa, por parte da elite brasileira.