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Texto para questões 31 e 32
A violência, independentemente de idade ou sexo, participava da rotina e só chamava a atenção quando, aplicada de modo exagerado, ocasionava invalidez ou morte. Havia alguns que requintavam a perversidade, obrigando pessoas a castigar seus entes queridos. Via-se, então, filho espancar mãe, irmão bater em irmã e assim por diante. O “tronco” era, todavia, o mais encontradiço de todos os castigos, imperando na 7ª Inspetoria. Consistia na trituração do tornozelo da vítima, colocando-a entre duas estacas enterradas juntas em ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente. Tanto sofreram os índios na peia e no “tronco” que, embora o Código Penal capitule como crime a prisão em cárcere privado, deve-se saudar a adoção desse delito como um inegável progresso no exercício da “proteção ao índio”.
Relatório do Procurador Jader Figueiredo. Brasília, 1968.
Disponível em: https://midia.mpf.mp.br.
Acesso em: 22 maio 2025 (adaptado).
Esse trecho corresponde a uma fração de um documento que tem mais de 7 mil páginas, produzido durante a Ditadura Militar no Brasil, cujo objetivo era denunciar os crimes contra os povos indígenas no país. O relatório, apelidado de “Figueiredo”, esteve extraviado desde a década de 1960 até 2012, quando foi recuperado e serviu de importante subsídio para a Comissão Nacional da Verdade.
Uma professora, ao trabalhar o tema Ditadura Militar no Brasil, utilizou essa fonte. Qual alternativa apresenta, respectivamente, a metodologia que possibilita a participação ativa dos estudantes e o objetivo do uso do relatório?
Roda de conversa; atestar que os militares atingiram seus objetivos, pois um dos seus princípios ao governar o Brasil era garantir a igualdade jurídica a todos os brasileiros.
Aula expositiva; comprovar a possibilidade de manipulação de documentos oficiais, pois o relatório original elaborado pelo governo militar esteve desaparecido por décadas.
Visita técnica; indicar a falsificação do documento, uma vez que não há indícios materiais de funcionários públicos cujo posicionamento fosse crítico ao governo federal no período da Ditadura Militar.
Debate entre os estudantes; evidenciar as divergências entre o governo militar e parte da população brasileira, visto que não concordava com os métodos impostos que desrespeitavam os direitos humanos.