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O poema a seguir é parte da obra “Quero acordar a alva”, do poeta e jornalista angolano José Luís Mendonça, escrita em 1997:
1974
Quimbanguleiros de todos os musseques
erguem o verde despertar das cidades
com blindagens de óleo palma
no eco encardido das nádegas
1994
Nossas crianças roem os dentes
neste céu etílico de balas perfumadas
2004
Nossa Senhora Santa Ana da Muxima
ainda marmoriza o país do rio Bengo
mas os deuses já não escarram mais o mel
da angústia em nossas bocas de papel
Em relação ao processo de descolonização e consolidação de Angola, as três datas e os contextos apresentados fazem referência respectivamente:
à esperança determinada pela queda do salazarismo em Portugal; à expectativa de fim da guerra civil em razão da mediação da ONU junto à UNITA com a assinatura do Protocolo de Lusaca e à projeção de dificuldades para a superação das diferenças sociais
à angústia refletida pela longa e recorrente guerra civil; ao abandono de qualquer interesse internacional nas questões angolanas após o fim da guerra fria e à crescente democratização do Estado angolano
à fundação da MPLA por organizações socialistas de trabalhadores; à assinatura do Tratado de Moncloa que garantia o apoio econômico norte-americano após o fim da URSS e à permanência da guerra civil no século XXI
à proclamação da independência por Patrick Lumumba; à retirada das tropas cubanas sob pressão americana e ao início de reformas estruturais que garantiram acesso igualitário à educação e à saúde