“Os senhores de engenho são homens que valem em si muitos títulos juntos, e estão em um estado em que facilmente se conservam, e dificilmente se arruínam. Porque ainda que não tenham cabedais de grande monta, têm terras e engenho, sem o que nenhum homem se pode chamar senhor de engenho. De sorte que é título a que não se chega sem muitos cabedais, e por isso são estimados como pessoas de qualidade.”
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1982, p.85.
Com base no excerto e nos estudos historiográficos sobre a sociedade colonial, é correto afirmar que a estratificação social no Brasil do período se estruturava:
pela equiparação jurídica entre colonos, indígenas e africanos, em função da ausência de diferenciações legais durante a colonização portuguesa até 1773
na valorização do trabalho manual e produtivo como fonte de honra e distinção, refletindo uma ética social semelhante à do protestantismo europeu
pela rápida mobilidade vertical, que permitia aos mestiços, mediante acúmulo de cabedais, ascenderem à posição de senhores de engenho
na posse da terra e do meio produtivo, que conferiam prestígio social e poder político aos proprietários, ainda que fossem nobres de linhagem