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“Estudos a respeito das experiências das mulheres escravas têm apontado para o papel de resistência delas no interior das plantações. [...] Nas áreas rurais — nas quais a maior parte estava empregada nas plantações —, educavam seus filhos através da linguagem e da música, conservando elementos fundamentais de identidades construídas. A partir de tais elementos, ajudavam a reinventar tradições de protesto, muitas das quais africanas (GOMES,1995).”
Tendo em vista o trecho acima, é possível afirmar que a historiografia vem buscando reinterpretar a noção de “resistências escrava” no contexto da escravidão colonial brasileira como:
ação restrita a rebeliões e fugas e tentativas de preservação da cultura africana através da assimilação da cultura portuguesa e/ou europeia.
fenômeno somente caracterizado pela desobediência, protagonizado por lideranças quilombolas e escravos no ambiente urbano e rural; nesse sentido, a resistência torna-se um conceito vinculado a dimensões culturais e de raça.
um conjunto de práticas múltiplas de quilombismo, desobediência, sobrevivência, redes de solidariedade e negociação, que atribui agência histórica e a autonomia de sujeitos escravizados e aquilombados.
uma ação de protagonismo feminino, consequência direta e singular da opressão direcionada aos escravos e populações minorizadas, operada pelo sistema colonial protocapitalista.