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“A partir de 1910 é que se torna cidade e já se transforma em um dos maiores e mais ricos municípios baianos. Pelo curso navegável [do rio que lhe atravessa], pequenas embarcações desciam transportando hortifrutigranjeiros e outros produtos de subsistência. No povoado, os mascates iam de porta em porta vendendo toalhas, rendas, tecidos e outros artigos trazidos de cidades maiores. Tropeiros chegavam igualmente a Jequié carregando seus produtos em lombo de burro. O principal ponto de revenda das mercadorias de canoeiros, mascates e tropeiros deu origem à atual praça Luís Viana, que tem esse nome devido a uma homenagem ao governador que emancipou a cidade.”
(JEQUIÉ. IBGE Cidades. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/jequie/historico.)
Considerando o processo histórico de formação municipal no Brasil e tomando como ponto de partida o excerto apresentado sobre a emancipação de Jequié, analise as afirmativas a seguir, que discutem fatores estruturantes, dinâmicas socioeconômicas e interesses políticos que influenciaram a constituição do município baiano no início do século XX, e indique a correta.
A diversificação dos fluxos comerciais que articulavam canoeiros, mascates e tropeiros permitiu a formação de um núcleo urbano cujo dinamismo econômico favoreceu elites locais, mas não constituiu base suficiente para pressionar o governo estadual a conceder emancipação política na primeira metade do século XX, já que o predomínio de atividades informais dificultava a consolidação de instituições administrativas republicanas.
A expansão das redes de comércio miúdo e de circulação de mercadorias, articulada a trajetórias de pequenos produtores e intermediários, contribuiu para a formação de um centro de abastecimento cuja relevância regional fortaleceu grupos econômicos locais, que passaram a demandar autonomia administrativa como meio de gerir tributos e investimentos, tornando plausível a emancipação municipal.
A existência do Rio São Francisco como eixo de navegação interna impulsionou a integração regional, mas essa conexão fluvial se manteve limitada a pequenas trocas de subsistência, impossibilitando que o povoado alcançasse densidade econômica capaz de justificar um movimento político consistente de separação municipal no início do século XX.
O crescimento progressivo das atividades mercantis realizadas por mascates e tropeiros promoveu um adensamento populacional, porém não gerou estrutura econômica coerente com a lógica do Estado baiano da Primeira República, que priorizava municípios com perfil agroexportador e, portanto, desestimulava a criação de novos entes municipais baseados em circuitos internos de comércio.


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