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"Talvez a lição mais importante trazida pela arqueologia amazônica nas últimas décadas ...

"Talvez a lição mais importante trazida pela arqueologia amazônica nas últimas décadas tenha sido mostrar que não existe na região nenhuma barreira natural à ocupação humana, à inovação e à invenção. Ao contrário, se fizermos uma história comparativa dos povos ameríndios, verificaremos que algumas das plantas mais importantes domesticadas no Novo Mundo o foram na Amazônia ou em suas adjacências nas terras baixas. O mesmo vale para a cerâmica, como já vimos. Solos de terra preta indicam a capacidade de modificação da paisagem, e a presença de sítios de grande porte interligados por redes de estradas mostram que houve períodos de adensamento demográfico com algum tipo de hierarquia. A arqueologia nos revela hoje que nada era impeditivo na Amazônia" (Neves, 2022.p. 188-189).


Ao investigar a História da Amazônia antiga, por meio da arqueologia, é correto afirmar que Neves (2022) legitima


A

a interpretação de Pierre Clastres, fundamentada na crítica à ideia de emergência do Estado como caminho natural da história humana.


B

o princípio da incompletude, incorporado às pesquisas sobre os povos amazônicos a partir da publicação das obras de Alexander von Humboldt e Carl von Martius.


C

a tese do degeneracionismo dos povos indígenas das terras baixas sul-americanas, confirmada pela variedade de línguas indígenas ali faladas.


D

a hipótese sustentada por Julian Steward, que formalizou a divisão do continente sul-americano em quatro áreas, cabendo aos Andes centrais o papel de centro de inovações culturais.


E

a concepção de Euclides da Cunha sobre a história dos povos da Amazônia, fundamentada na ausência de agricultura, Estado, escrita, ordem e progresso.