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No trecho a seguir, Almeida (2010) descreve o episódio envolvendo os conflitos e o julgamento sobre as terras da Reserva Raposa do Sol, em Roraima.
"Em dezembro de 2008, cinco povos indígenas (macuxi, wapixana, ingaricó, patamona e taurepang), há 30 anos em disputa pela demarcação de suas terras nessa reserva, tiveram seus direitos defendidos pela advogada indigenista Joênia Batista de Carvalho. Índia wapixana, Joênia foi a primeira indígena a defender uma causa no Supremo Tribunal Federal. Acontecimento histórico, nas palavras da própria Joênia, que nos convida a refletir sobre a história dos índios em nosso país. Sem entrar no mérito da questão, cabe assinalar a atuação de Joênia que, formada em direito, atuou como defensora de seu próprio grupo. Participou do ritual do julgamento com a toga que a função exige e com o rosto pintado conforme as tradições de seu povo. Com coragem e determinação, defendeu os direitos dos índios, que acabaram ganhando a causa. Alguém duvida que ela seja índia?" (Almeida, 2010, p. 19).
De acordo com a interpretação da autora, é correto afirmar que o episódio é significativo porque evidencia o
processo de aculturação cada vez mais intenso nesses tempos de globalização que tem levado ao aniquilamento das diferenças étnicas entre os indígenas.
processo de aculturação contínua em curso, porém, ao invés de levar à extinção das diferenças étnicas, parece que tem contribuído para reforçá-las.
legado da colonização na sociedade brasileira póscolonial na qual os grupos indígenas continuam como vítimas passivas de um processo violento.
desaparecimento progressivo dos índios na história do Brasil, pois, na condição de submetidos, aculturam-se no presente e deixam de ser índios.
processo de assimilação, no qual mudanças culturais progressivas conduzem os indígenas à consequente perda de identidade étnica.