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A escravidão africana no Brasil integrou-se a um sistema atlântico de larga escala, marcado pelas viagens ultramarinas, pelo deslocamento forçado e pela reorganização compulsória da vida dos africanos no espaço colonial. Ao longo desse processo, observam-se tanto estratégias de sobrevivência, adaptação e recriação sociocultural por parte dos africanos escravizados quanto a consolidação de discursos raciais voltados à legitimação da ordem escravista. Considerando essa dinâmica histórica, assinale a alternativa que apresenta a interpretação historiograficamente mais consistente sobre a relação entre travessia atlântica, adaptação dos africanos e racismo no Brasil.
As dificuldades iniciais enfrentadas pelos africanos no Brasil confirmam a existência de limitações naturais que explicam a posterior racialização da escravidão.
A travessia ultramarina teve impacto restrito à dimensão demográfica, não interferindo de modo significativo nos processos culturais e sociais de adaptação no Brasil.
O racismo brasileiro foi consequência direta e imediata das viagens ultramarinas, antecedendo a consolidação do sistema escravista colonial.
A adaptação dos africanos ao Brasil ocorreu de forma passiva e homogênea, sendo determinada exclusivamente pelas imposições do sistema colonial.
Apesar da violência extrema da travessia atlântica e das condições impostas pela escravidão, os africanos desenvolveram estratégias ativas de adaptação, recriação cultural e resistência, o que evidencia que o racismo no Brasil não decorreu de incapacidade adaptativa, mas de uma construção histórica destinada a legitimar a dominação escravista.