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A Primeira República brasileira (1889–1930) foi marcada por uma tensão estrutural entre a formalização de um regime representativo liberal e a persistência de práticas políticas assentadas na desigualdade material e na fragmentação do poder estatal. Em Coronelismo, enxada e voto, Victor Nunes Leal analisa o coronelismo como expressão de uma engrenagem política fundada na dependência econômica local, na precariedade administrativa do Estado e na assimetria federativa (LEAL, 2012). Já em Os bestializados, José Murilo de Carvalho enfatiza os limites da cidadania republicana, destacando o distanciamento entre as instituições políticas e a experiência social das camadas populares no processo de construção da República (CARVALHO, 1987). A articulação dessas abordagens permite compreender a Primeira República não apenas como um regime de exclusão política, mas como uma forma histórica específica de integração subordinada, na qual a participação política era condicionada por vínculos econômicos, relações pessoais e pela baixa capacidade estatal de universalizar direitos. Considerando esse cruzamento interpretativo, assinale a alternativa que melhor expressa o cenário político do Brasil na Primeira República:
A fragilidade da cidadania republicana decorreu prioritariamente da resistência cultural das camadas populares à institucionalização do regime liberal.
O coronelismo representou uma distorção temporária do sistema republicano, progressivamente superada com a consolidação das instituições eleitorais.
A exclusão política na Primeira República pode ser explicada sobretudo pela ausência de um projeto econômico nacional capaz de integrar o mercado interno.
A dissociação entre economia e política explica o caráter formal da cidadania republicana, limitando a capacidade de intervenção do Estado sobre o poder local.
A cidadania restrita e o coronelismo constituíram dimensões complementares de uma mesma ordem política, na qual a dependência econômica, a debilidade estatal e a mediação local do poder limitaram a efetivação do regime representativo.