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A difusão global dos ideais das Revoluções Liberais do século XVIII, notadamente a Americana (1776) e a Francesa (1789), atuou como um poderoso catalisador para os movimentos de independência na América Latina.
Entre os processos emancipatórios que emergiram no rastro dessa crise do Antigo Regime, qual que melhor exemplifica a assimilação direta e programática dos princípios liberais como fundamento ideológico de sua luta, ainda que adaptados ao contexto colonial?
Independência das Províncias Unidas do Rio da Prata (atuais Argentina e Uruguai, 1810-1818), em que as ideias liberais, embora presentes nos debates das elites revolucionárias, foram secundarizadas pelas lutas internas entre unitários e federalistas, impedindo uma implementação coerente e duradoura de um projeto político baseado, exclusivamente, nesses princípios.
Independência da Venezuela e de outras regiões da Gran Colômbia (1810-1823), lideradas por Simón Bolívar, que, explicitamente, invocaram os direitos do homem, o republicanismo e a soberania popular em seus documentos e projetos constitucionais.
Independência do Brasil (1822), caracterizada pela continuidade monárquica, pela manutenção da escravidão e por uma transição negociada que preservou as estruturas sociais e econômicas do período colonial.
Independência do México (1810-1821), cujo processo combinou, de forma tensa, as reivindicações liberais crioulas com as demandas populares e indígenas por justiça social, que se mantiveram sempre convergentes.
Independência do Haiti (1804), marcada pela revolta escrava e pela constituição de uma república negra, cujo caráter antiescravista antecedeu e superou, em radicalidade social, as propostas liberais clássicas.