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Leia o trecho a seguir.
Uma sociedade que tanto valor dava às fórmulas e aos gestos, precisava de ritos para repelir os medos e estabelecer ligações com as forças sobrenaturais: precisava dos sacramentos e, por consequência, dos monges. Nesse tempo, o indivíduo não contava, perdia-se no seio de um grupo onde as iniciativas de cada um se fundiam em responsabilidade comuns. Todo o povo cristão se sentia solidário perante o mal e perante Deus, maculado pelo crime deste ou daquele dos seus membros, purificado pelas abstinências de alguns. Esses agentes de redenção coletiva eram os monges. O mosteiro intervinha como um órgão de compensação espiritual. Esta função justificava sua decoração, ornamentos e arquitetura.
Adaptado de DUBY, Georges. O tempo das catedrais. A arte e a sociedade, 980-1420. Lisboa: Editorial Estampa, 1979, pp. 67-68.
Com base no trecho, assinale a opção que interpreta corretamente a relação entre a dimensão religiosa e a organização social medieval.
A experiência religiosa medieval baseava-se em vivências espirituais individuais, marcadas pelo afastamento dos vínculos sociais e pela busca interior da salvação.
A relação com o divino era mediada por objetos e elementos materiais de culto, que substituíam a dimensão espiritual da fé.
A mediação entre o mundo terreno e o sagrado, exercida pelos mosteiros, expressava-se pela austeridade, em conexão com o ideal de pobreza cristã como caminho para a salvação.
A relação com o divino manifestava-se em diferentes dimensões da vida social, uma vez que as dinâmicas coletivas eram compreendidas como sagradas.
A vida religiosa estruturava a experiência coletiva medieval, atuando como mecanismo de coesão social e mediação com o divino por meio de ritos, instituições e símbolos.