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Leia o trecho a seguir.
Eu, Sabina da Cruz, achando-me incomodada de saúde, delibero meu testamento. Declaro que sou católica, e professo a Religião de Jesus Cristo, pois que desde que vim de minha terra de África, onde nasci, chegando nesta Capital há muitos anos fui batizada na fé da qual tenho sempre vivido, e desejo morrer. Declaro que sendo escrava do Senhor Manoel Gonçalves da Cruz, já falecido, de seu poder me libertei há muitos anos dando-lhe dois escravos por minha liberdade. Declaro que os bens que possuo consistem nos escravos Lino Gege, Maria Luiza Nagô, Antônio da mesma Nação, Mauricia e Francisca crioulas, cujos escravos os possuo desembargados. Deixo a minha afilhada, filha do meu Senhor Manoel Gonçalves da Cruz duas voltas de cordão de ouro para seu ornato. Meu testamenteiro me mandará celebrar uma capela de Missas pela minha alma, e fará repartir com os pobres a quantia de vinte mil reis.
Adaptado de DAMIÃO, Erika. “O que deixei: testamento de Sabina da Cruz, “a denunciante” da Revolta dos Malês”, Revista de fontes, v. 12, n. 22, 2025, p. 60.
Com base na leitura do testamento, assinale a opção que identifica corretamente aspectos da vida das pessoas escravizadas no Brasil presentes no documento.
A estrutura da sociedade escravista, que possibilitava a existência de brechas legais para beneficiar determinados indivíduos em posições de desvantagem.
A diversidade de experiências entre indivíduos de origem africana ou descendentes, marcada por distintas trajetórias sociais e formas de inserção na sociedade escravista.
A facilidade de mobilidade social das pessoas escravizadas na ordem escravista, possibilitada pela acumulação de bens e pela participação em atividades econômicas.
A predominância de redes de sociabilidade e ajuda mútua entre pessoas escravizadas, expressa em práticas como a destinação de bens a outros escravizados.
A resistência africana às imposições do sistema colonial, manifestada na manutenção de um sistema religioso e legal alternativo ao imposto.