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“Quando o Egito se encontrava sob a dominação cuxita, a função de grande sacerdotisa (Dewat Neter) do deus Âmon em Tebas era exercida pela filha do rei, o que lhe conferia grande influência econômica e política. Mesmo após a extinção do cargo, em consequência da perda do Egito, as mulheres da família real continuaram a ocupar altas posições e a exercer um poder considerável sobre o clero do templo de Âmon em Napata e em outros lugares.(...) A iconografia confirma o elevado status das rainhas-mães. Nas cenas religiosas representadas nas paredes dos templos elas ocupam posições proeminentes, subordinadas apenas ao próprio rei, enquanto nas cenas que ornam as capelas das pirâmides a rainha aparece, por trás do rei falecido, como a principal portadora de oferendas.”
MOKHTAR, Gamal (ed.). História Geral da África: África antiga. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. 1008 (p.304- 305).
A Núbia constituiu-se como um importante elo entre a África Central e o Mediterrâneo. Nesse território, formou-se o Reino de Kush, no qual se destacou o papel feminino na sociedade e na política. Sobre o Reino de Kush, é CORRETO afirmar que:
Apesar de manter intensas relações comerciais e culturais com o Egito, o Reino de Kush preservou características próprias, como a relevância política das rainhas-mães (kandakes) e a continuidade e longevidade de suas dinastias.
Diferentemente dos egípcios, os cuxitas não desenvolveram práticas agrícolas, dependendo exclusivamente do comércio e das técnicas hidráulicas egípcias.
Assim como no Egito, a sucessão política em Kush baseava-se exclusivamente na hereditariedade patrilinear, sendo o filho o sucessor obrigatório do rei.
As trajetórias históricas de Kush e do Egito foram marcadas pelo isolamento mútuo, sem intercâmbios comerciais, políticos ou culturais relevantes.
O Reino de Kush antecedeu cronologicamente a formação do Egito Antigo, sendo este considerado herdeiro direto das instituições políticas e religiosas cuxitas.