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“O curral era o cenário para toda essa atividade: 'Em cada fazenda', explicava o ouvidor Durão, no século XVIII, 'deve haver pelo menos três currais que tomam diversos nomes conforme o serviço que prestam. Chama curral de vaquejada àquele em que se recebe o gado que tem de ser vendido, onde se tira o leite e onde se faz o rol de porteiras; curral de apartar e em que se recebe todo o gado indistintamente para ao depois ser distribuído pelas diferentes acomodações; curral de beneficio, onde se recolhem os garrotes para serem ferrados e para se fazer as partilhas dos vaqueiros.' Tais fazendas se formavam com facilidade. Uma casa rústica coberta de folhas de carnaúba abrigava homens, mulheres e crianças. Num curral tosco se introduziam, em geral, oito vacas e um touro. As reses passavam por um período de adaptação aos pastos. Era a 'formação dos cascos'. Nessa fase eram necessários de dez a doze homens para o manejo: vaqueiros gabaritados e outros, os cabras, menos hábeis.”
PRIORE, Mary del. Histórias da gente brasileira: volume I: colônia. Rio de Janeiro: LeYa, 2016. p.143-144
Considerando esse processo histórico, a expansão territorial da pecuária na Colônia Portuguesa caracterizou-se principalmente por:
Lentamente as regiões, como vale do rio São Francisco, Piauí, Mato Grosso, Pernambuco, Acre, Ceará, foram ocupadas pelas manadas baianas que percorriam léguas e léguas do território dos sertões de dentro.
A expansão territorial enfrentou a resistência indígena desde o século XVI, situação vista pelas autoridades coloniais e sendo denominada, na época, “Guerra aos Bárbaros”.
O cotidiano de ocupação foi marcado pela terra árida e sol causticante, com poucas reservas de água e crises de abastecimento que duravam apenas no período curto de estiagem.
O tamanho dos currais variava de acordo com o rebanho e o número anual de bezerros onde três quartos das crias pertenciam ao vaqueiro.
No Piauí, como em outras áreas sertanejas, o número de libertos era baixo caracterizando o trabalho escravo como predominante na região.


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