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"O estudo das relações sociais na Idade Média Central remete-nos diretamente a um dos mais polêmicos temas da historiografia contemporânea: o do feudalismo. Desde o século XIX, são numerosas as linhas interpretativas (...). De maneira ampla, ele gira em torno de um duplo significado do termo. No sentido estrito, ele refere-se aos vínculos feudovassálicos, isto é, como veremos, às relações político-militares entre membros da aristocracia. No sentido lato, designa um tipo de sociedade com formas próprias de organização econômica, política, social e cultural."
FRANCO JÚNIOR, Hilário, A Idade Média: nascimento do ocidente / Hilário Franco Júnior. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2001.
"A ascensão da sociedade de corte sem dúvida está ligada ao impulso da crescente centralização do poder do Estado, à crescente monopolização das duas fontes decisivas de poder para aqueles senhores em posição central: as taxas sociais, os "impostos" como nós chamamos, e o poderio militar e policial reunidos. Contudo, raramente se coloca uma pergunta fundamental nesse contexto que permaneça sem resposta: a questão da dinâmica de desenvolvimento da sociedade, de como e por que se forma, durante determinada fase do desenvolvimento do Estado, uma posição social que concentra nas mãos de um único homem uma abundância de poder extraordinária."
ELIAS, Norbert. A Sociedade de Corte: investigação sobre a sociologia da realeza e da aristocracia de corte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
Considerando os textos apresentados e o debate historiográfico sobre a transição da sociedade feudal à sociedade de corte, assinale a alternativa CORRETA:
A centralização descrita por Norbert Elias representa ruptura absoluta com as estruturas feudais, implicando substituição imediata das relações pessoais por dominação burocrática racional-legal.
A feudo-clericalização dos séculos XI-XII, ao estruturar uma aristocracia baseada em vínculos pessoais de dependência, fornece matriz relacional que será transformada — e não simplesmente eliminada — pelo processo de centralização monárquica.
A análise de Hilário Franco Júnior converge integralmente com Norbert Elias ao sustentar que o feudalismo já continha, em sua essência, o monopólio legítimo da violência.
A transição analisada pode ser interpretada como deslocamento de uma lógica de fragmentação senhorial para uma lógica de concentração progressiva dos recursos de coerção e tributação.
A monopolização fiscal e militar caracteriza igualmente o feudalismo em sentido estrito e a sociedade de corte, diferenciando-se apenas quanto à escala territorial.