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“— Mas o que é que há? [...].
— A república está proclamada.
— Já há governo?
— Penso que já; mas diga-me V. Excia.: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto... Uma fatalidade! Venha em meu socorro, Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado.
— ‘Confeitaria do Império’, a tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V. Excia. crê que, se ficar ‘Império’, venham quebrar-me as vidraças?
— Isso não sei.
— Realmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo.
— Mas pode pôr ‘Confeitaria da República’...”
(ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. pp. 251-253.)
A consolidação do Estado republicano brasileiro, a partir do final do século XIX, envolveu mudanças institucionais relevantes, mas também a permanência de estruturas sociais e econômicas herdadas do período anterior. Considerando a organização política e econômica da República e as continuidades na composição do poder, analise as afirmativas a seguir e assinale a correta.
A instauração da República promoveu a ruptura imediata com a elite agrária imperial, substituindo o poder dos grandes proprietários rurais por uma burguesia industrial organizada e politicamente hegemônica no novo regime.
O Estado republicano estruturou-se a partir de uma lógica centralizadora e tecnocrática, na qual o poder político foi progressivamente deslocado das oligarquias regionais para instituições estatais autônomas e profissionalizadas.
A República caracterizou-se pela ampliação efetiva da participação popular e pela incorporação dos trabalhadores rurais à cidadania política, reduzindo o poder econômico e político das elites agrárias tradicionais.
A organização política e econômica da República manteve a centralidade da classe dominante agrária, que, por meio do controle regional do poder, do federalismo oligárquico e de mecanismos eleitorais restritivos, preservou sua hegemonia social.
O Estado republicano consolidou-se como expressão de um projeto nacional desenvolvimentista precoce, orientado pela redistribuição da terra e pela subordinação dos interesses agrários às demandas industriais urbanas.