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“Entre 1964 e 1985, a história de milhares de brasileiros cruzaram os destinos e, ainda hoje, se atravessam. Do mais procurado dos perseguidos ao mais desprezível dos torturadores, do anônimo “alienado” ao agente do Estado que não atropelava a legalidade por qualquer paranoia de subversão. Em 2014, o Golpe Militar completou cinco décadas, são 50 anos de fragmentos de memórias de gente de todos os naipes, para costurar sobre um dos períodos mais sovinas da liberdade brasileira. Cada um em sua micro história e todos narrando um período que ruiu e deu na democracia que caminha em permanente metamorfose. O 31 de Março de 1964 é o marco para se contar e recontar a história de personagens que viveram as mais diversas situações diante de um Brasil dividido pelo maniqueísmo. Um tempo arrogante da verdade de dois lados. Cada um acreditava na sua e quem pensava o contrário era inimigo ou dedo-duro, subversivo ou conservador...” (Editorial do Jornal O Povo de 30/03/2014)
Sobre o Ceará e a ditadura militar no Brasil, é incorreto afirmar que:
o governador do Ceará no período era Virgílio Távora (1963 - 1966), que, mesmo sendo um político conservador, herdeiro de uma tradicional oligarquia cearense, mantinha boas relações com o governo do Presidente João Goulart (1961 - 1964), tal proximidade com Jango deixou Virgílio em uma situação delicada com os militares golpistas, pois, se de um lado Virgílio condenava o reformismo de Jango, de outro, tinha boas relações com o presidente, porque precisava de recursos federais e de apoio técnico para auxiliar a modernizar o estado.
em seu governo, Virgílio Távora criou o Banco do Estado de Ceará, a Companhia do Desenvolvimento do Ceará e ampliou o Porto do Mucuripe. Além disso, implantou um moderno planejamento de estado, considerado vanguarda no país, à época, que teve, enquanto grandes realizações, a consolidação de instrumentos de incentivo fiscal e obras de infraestrutura que permitiram a vinda de indústrias para o estado, modernizou a máquina, formou e colocou técnicos no governo, inclusive, em seu governo, foram elaborados grandes projetos estruturantes.
como eram governos mais brandos e ligados à social-democracia, os governos militares no Ceará tiveram um apoio das entidades organizadas como a UNE e a Confederação dos Trabalhadores Cearenses, principalmente porque, no Ceará, não aconteceram torturas e perseguições políticas.
durante o governo de César Cals (1971-1975), sucedeu-se o auge da repressão militar. Vários cearenses de esquerda estiveram envolvidos na Guerrilha do Araguaia. Cals procurou governar tecnocraticamente, formando sua própria facção política e rompendo com Virgílio Távora. Com seu sucessor, Adauto Bezerra (mandato de 1975 a 1978), não acontecem grandes mudanças. Adauto volta-se politicamente para o interior, com a criação de uma secretaria de assuntos municipais. Renuncia seu mandato para se eleger deputado federal.