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Qual das alternativas abaixo exemplifica um caso de...

Instrução: As questões 09 a 16 referem-se ao texto abaixo.


  1. ______ Encontro, pelos corredores da vida, um grupo de
  2. ex-alunos. A primeira reação é sempre de um agradável
  3. afeto, o mesmo afeto de reencontrar um pedaço de si,
  4. no outro. Talvez lembrar seja sempre um exercício de
  5. reconhecimento de si próprio: enxergar, em um amor
  6. de infância, em um sabor perdido, em uma paisagem
  7. – ou num professor – um espelho de seus melhores dias.
  8. ______Reencontramo-nos e logo percebemos que ninguém,
  9. nem eu nem eles, lembrava do nome da matéria em
  10. que nos frequentamos. No espelho dos melhores dias,
  11. eles não viam mais conteúdos elementares, datas (de
  12. que ano é a prensa de Gutenberg?), conceitos (o que
  13. é um nariz de cera), nomes (quem escreveu “Frank
  14. Sinatra está Resfriado”e “As Religiões no Rio”?) e por
  15. aí vai, numa extensa lista de sujeitos e predicados.
  16. ______Não é que não lembrem de nada, é claro, nem que
  17. a matéria tenha sido toda inútil. Longe disso, pois todos
  18. lembravam com carinho das antigas aulas – e lembrar
  19. com carinho já é muito melhor do que recitar a velha
  20. decoreba da tabela periódica.
  21. ______Mas lembram de outras coisas. Lembram dos poemas
  22. e das histórias, lembram dos afetos.
  23. ______– Professor, e os poemas?
  24. ______– Professor, e a história do macaco?
  25. ______Estou convicto de uma obviedade. As obviedades
  26. são, aliás, as verdades mais duras de reconhecer –
  27. estão tão coladas aos nossos narizes que se tornam
  28. invisíveis. Estou certo de que contar histórias, boas
  29. histórias, é o mais formidável meio para ensinar, ou
  30. aprender, qualquer coisa. Por isso, insista com as
  31. historinhas antes de dormir: do primeiro ao último mês
  32. de vida (até a morrer é preciso aprender).
  33. ______Convenci-me de uma verdade de 32 mil anos de
  34. idade, ao menos. Da verdade da arte rupestre e dos
  35. grandes mitos que foram sendo passados de boca em
  36. boca, de geração em geração, até se fixarem em papel.
  37. A verdade de uma terrível Medéia, de um enlouquecido
  38. Édipo, de uma trágica Julieta.
  39. ______A verdade das grandes histórias – ou mesmo das
  40. pequenas –, ao contrário da verdade dos conceitos
  41. estéreis, que não frutificam em histórias de som e fúria,
  42. permanece.
  43. ______Acho que a boa pedagogia, a pedagogia que fica,
  44. passa pela arte de narrar e de compartilhar. Não as
  45. opiniões rasas, que logo saem de moda, mas as vivências
  46. mais impactantes de nossas próprias vidas e das incon-
  47. táveis vidas que nos cercam e precederam. A vida é
  48. sobre isso: a vida. E só se vive por meio de histórias.
  49. ______Os gregos sabiam disso, os trovadores sabiam
  50. disso, os irmãos Grimm sabiam, Shakespeare sabia, e
  51. Machado, e Clarice… É uma pena que nós estejamos
  52. ocupados demais para saber; ocupados demais para
  53. aprender a viver.


Adaptado de: ESSENFELDER, Renato. O que as histórias nos ensinam. Estado de São Paulo, São Paulo, 09 de maio de 2018. Disponível em http://emais.estadao.com.br/blogs /renato-essenfelder/o-que-as-historias-nos-ensinam/. Acesso em 12/05/2018.

Qual das alternativas abaixo exemplifica um caso de complemento nominal no texto?


A

de ex-alunos (l. 01-02)


B

de Gutenberg (l. 12)


C

de nada (l. 16)


D

de uma obviedade (l. 25)


E

de uma verdade (l. 33)