Imagem de fundo

Em relação à regência verbal e nominal no texto, assinale a...

INSTRUÇÃO: Leia atentamente o artigo abaixo e responda às questões de 09 a 14.


ZERO MAIS ZERO


1 Consta que Galeno, o maior médico da Roma amiga, chegou certa vez a uma cidade atingida pela peste,

onde foi recebido com grandes esperanças pelos notáveis locais. Que sorte a nossa, pensaram todos — certo nesta

hora, eis que nos aparece o grande Galeno, o homem que mais conhece o corpo humano em todo o império e

consegue curar as doenças mais infames em circulação por aí. Galeno olhou um pouco a sua volta, pensou por um

5 minuto e deu sua receita para o tratamento da peste: “Vão embora daqui o mais rápido que puderem. Vão para o

lugar mais longe possível. Voltem o mais tarde que conseguirem”. Houve certo desapontamento: mas é só isso que

o nosso grande doutor tem para dizer? Sim, era só isso, e Galeno foi o primeiro a aplicar a sua própria terapia:

montou no cavalo, saiu a galope e nem olhou para trás. Não há informações mais precisas nessa história, mas uma

coisa é certa: ninguém que optou por obedecer à sua prescrição morreu. E não era isso, exatamente, o que

10 esperavam dele?

O episódio permanece, no anedotário da história, como uma prova de que é perfeitamente possível

aproveitar a própria ignorância para obter um benefício importante — importantíssimo, na verdade, para os que

salvaram a sua vida seguindo a recomendação recebida. Galeno não tinha a mais remota ideia de como curar a

peste, algo que só seria descoberto uns 1600 anos depois, mais ou menos. Mas sabia certas coisas interessantes.

15 Sabia, por exemplo, que a doença aparecia numas cidades e não em outras, que permaneciam totalmente imunes à

epidemia. [...] Sabia, também, que um indivíduo ainda não contaminado permanecia plenamente saudável quando

se mudava para algum lugar livre da praga. Não se importava nem um pouco, enfim, em admitir sua ignorância

sobre o assunto: ao contrário dos seus colegas, que ficavam receitando remédios absurdos, rezas e mandingas para

esconder o fato de que não sabiam nada sobre o tratamento da doença, preferia salvar pela observação lógica

20 aqueles que ainda não estavam condenados.

Galeno, na escuridão do século II, não sabia muita coisa. [...] Achava, por exemplo, que o sangue se

originava no fígado, e tinha dúvidas sobre a disposição dos músculos do corpo humano: hoje, provavelmente, não o

deixariam clinicar num posto de saúde do interior do Ceará. Mas Galeno era um ás em servir-se da sua inteligência

para vencer a sua ignorância. Ao recusar-se a ficar inventando falsas respostas para questões que desconhecia, e

25 por limitar-se a aplicar ao paciente o que de fato sabia, forçava a si próprio a aprender mais, e a aprender com mais

certeza. O resultado é que acabou se tornando um farol para a medicina por mais de 1000 anos após a sua morte.

Em muita coisa, no Brasil de hoje, vivemos um momento oposto ao do mundo mental de Galeno — a

ignorância serve para derrotar a inteligência. Grandes vultos do nosso mundo cultural, político, social e outros

abarrotam seus sites com cursos, mestrados, pós-graduações e outros feitos d’armas que atribuem a si próprios:

30 infelizmente, não informam o que aprenderam. Sem isso, o que se tem é zero mais zero.[...]



(GUZZO, J.R. Veja, 29 de maio de 2013.)

Em relação à regência verbal e nominal no texto, assinale a afirmativa correta.


A

Em ninguém que optou por obedecer à sua prescrição morreu, pode-se retirar o acento grave porque o verbo obedecer não rege preposição.


B

Em chegou certa vez a uma cidade, deve-se substituir a preposição a por em, conforme regem as normas da escrita culta.


C

Em tinha dúvidas sobre a disposição dos músculos do corpo humano, a preposição sobre está indevidamente empregada porque a palavra dúvida exige a cerca de ou em.


D

Em vivemos um momento oposto ao do mundo mental de Galeno, a preposição a está corretamente empregada em função da regência do adjetivo oposto.


E

Em Galeno era um ás em servir-se da sua inteligência, a preposição em deveria ser substituída por de, em função da regência do verbo servir.