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2. A LÍNGUA-GERAL EM SÃO PAULO
1 O assunto, que tem sido ultimamente objeto de algumas controvérsias, foi tratado pelo autor no Estado de S. Paulo de 11 e 18
2 de maio e 13 de junho de 1945, em artigos cujo texto se reproduz, a seguir, quase na íntegra.
3 Admite-se, em geral, sobretudo depois dos estudos de Teodoro Sampaio, que ao bandeirante, mais talvez do que ao indígena,
4 se deve nossa extraordinária riqueza de topônimos de procedência tupi. Mas admite-se sem convicção muito arraigada, pois parece
5 evidente que uma população “primitiva”, ainda quando numerosa, tende inevitavelmente a aceitar os padrões de seus dominadores
6 mais eficazes.
7 Não faltou, por isso mesmo, quem opusesse reservas a um dos argumentos invocados por Teodoro Sampaio, o de que os
8 paulistas da era das bandeiras se valiam do idioma tupi em seu trato civil e doméstico, exatamente como os dos nossos dias se
9 valem do português.
10 Esse argumento funda-se, no entanto, em testemunhos precisos e que deixam pouco lugar a hesitações, como o é o do padre
11 Antônio Vieira, no célebre voto que proferiu acerca das dúvidas suscitadas pelos moradores de São Paulo em torno do espinhoso
12 problema da administração do gentio. “É certo”, sustenta o grande jesuíta, “que as famílias dos portuguezes e indios de São Paulo
13 estão tão ligadas hoje humas ás outras, que as mulheres e os filhos se criam mystica e domesticamente, e a lingua que nas ditas
14 familias se fala he a dos indios, e a portugueza a vão os meninos aprender à escola [...]’
(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil, capítulo 4, nota 2, páginas 122 e 123, versão digital)
seria grafada com acento indicador de crase em “as”.
não seria grafado qualquer acento em “as”.
seria grafada “ligada” em vez de “ligadas”.
seria grafada “outra” em vez de “outras”.
seria grafado “oje” em vez de “hoje”.