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“Em resumo, que elementos distinguiriam essa literatura? Para além das discussões conceituais, alguns indicadores podem ser destacados: uma voz autoral afrodescendente, explícita ou não no discurso; temas afro-brasileiros; construções linguísticas marcadas por uma afro-brasilidade de tom, ritmo, sintaxe ou sentido; um projeto de transitividade discursiva, explícita ou não, com vistas ao universo recepcional; mas sobretudo, um ponto de vista ou lugar de enunciação política e culturalmente identificado à afrodescendência, como fim e começo.” (DUARTE, Eduardo de Assis. “Por um conceito de literatura afro-brasileira”. In: DUARTE, Eduardo de Assis; FONSECA, Maria Nazareth Soares (Org.). Literatura e afrodescendência: antologia crítica. Belo Horizonte: UFMG, 2011, p. 385.)
Segundo o conceito defendido por Duarte, assim como Carolina Maria de Jesus, também constitui exemplo legítimo de literatura afro-brasileira
a engajada poesia condoreira de Castro Alves, autor de “O navio negreiro”, considerado o poeta dos escravos.
o dissimulado lugar de enunciação de contos como “Pai contra mãe” e “O caso da vara”, de Machado de Assis.
o negrismo modernista no ponto de vista que conduz a perspectiva dos “Poemas negros”, de Jorge de Lima.
a ficção narrativa de cunho abolicionista de romances como A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães.