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Texto VIII
Rio abaixo
Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.
05 Vivo há pouco, de púrpura sangrento,
Desmaia agora o ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.
Um silêncio tristíssimo por tudo
10 Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:
E o seu reflexo pálido, embebido
Como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.
(BILAC, Olavo. Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.)
Quanto ao aspecto formal, é possível afirmar-se, em relação ao poema “Rio abaixo”, que
o esquema rímico fixo se constrói a partir de rimas intercaladas nos quartetos e alternadas nos tercetos.
a sintaxe complexa, marcada pelo excesso de inversões sintáticas, é uma característica parnasiana presente no poema.
a regularidade métrica defendida pelos parnasianos é rompida pela alternância de versos decassílabos e dodecassílabos.
a incidência maior de hipérbatos ocorre nos dois tercetos, enfatizando a complexidade sintática presente no poema.