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O vocábulo “valentona” (l.27) foi empregado em referência a...

Texto CB1A1BBB


1 Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e

suicidou-se em seguida é um sintoma da revivescência de um

sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens:

4 o domínio sobre a mulher. Há outros casos. (...) Todos esses

senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros.

Eles se julgam com o direito de impor o seu amor ou o seu

7 desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito

diferentes dos ladrões à mão armada; mas o certo é que estes

não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos

10 assassinos querem tudo que há de mais sagrado em outro

ente, de pistola na mão. O ladrão ainda nos deixa com vida,

se lhe passamos o dinheiro; os tais passionais, porém,

13 nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não;

matam logo.

Nós já tínhamos os maridos que matavam as esposas

16 adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas.

De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de se supor que

quem quer casar deseje que a sua futura mulher venha para o

19 tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor

boa-vontade, sem coação de espécie alguma, com ardor até,

com ânsia e grandes desejos; como é então que se castigam as

22 moças que confessam não sentir mais pelos namorados amor ou

coisa equivalente?

Todas as considerações que se possam fazer tendentes

25 a convencer os homens de que eles não têm sobre as mulheres

domínio outro que não aquele que venha da afeição não devem

ser desprezadas. Esse obsoleto domínio à valentona, do homem

28 sobre a mulher, é coisa tão horrorosa que enche de indignação.

Todos os experimentadores e observadores dos fatos

morais têm mostrado a insanidade de generalizar a eternidade

31 do amor. Pode existir, existe, mas excepcionalmente; e exigi-la

nas leis ou a cano de revólver é um absurdo tão grande

como querer impedir que o Sol varie a hora do seu

34 nascimento. Deixem as mulheres amar à vontade. Não as

matem, pelo amor de Deus.


Lima Barreto. Não as matem. In: Vida urbana. São

Paulo: Brasiliense, 1963, p. 83-5 (com adaptações)


Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB1A1BBB, julgue os itens que se seguem.

O vocábulo “valentona” (l.27) foi empregado em referência a “mulher” (l.28).


C

Certo


E

Errado