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Dentre os valores da palavra “se”, está o de indicar uma...

TEXTO: SEM LIMITES

Critica-se por aí a falta de limite das

crianças. Reclama-se dos adolescentes

criados sem limites. No quarto escuro do

caos, esperamos que a luz do limite venha

5 pôr a bagunça em ordem. Nem adultos

escapam da exigência geral. Impõem-se

leis rígidas contra o consumo do álcool,

fecham-se as casas de jogos.

Para muitos basta dar “limites” para

10 realizar uma boa educação, como se a

experiência do limite sozinha pudesse ser a

salvação para alguém que se perdeu. Um

“não” dito em tom solene aqui, ou acolá, e

estaria feita a mágica. Sabemos que não

15 funciona assim. Professores contam com

soluções vindas de casa. Pais desatentos

ou ocupados esperam que os limites sejam

produzidos na escola, como se encontrar o

“limite” fosse tarefa da educação formal.

20 Nem uma coisa nem outra. Parece que o

limite se tornou uma palavra a carregar a

culpa para o lado oposto onde cada um

está.

A tarefa de dar limite é uma das

25 tantas que esperamos dos outros. Todos

sabemos que ela dá muito trabalho. Muitas

vezes nem sabemos, os responsáveis, do

que se trata. Talvez não confiemos na

possibilidade de que limite seja a resposta

30 para nossos problemas na educação, nos

relacionamentos, pois nós mesmos não nos

damos limites. Somos autoindulgentes,

autopiedosos, sempre prontos a perdoar as

nossas falhas. A revolta contra as leis é

35 sinal de que não vemos vantagem dos

limites para nós mesmos. A culpa – e o

problema – é dos outros.

O filósofo grego Aristóteles dizia

que qualquer coisa não existe para além do

40 limite. Tudo o que existe precisa de um

limite para existir. Para saber o que algo é e

onde está se usa a noção do limite. Limite é

sinônimo de forma. Não podemos saber o

que é uma casa se não reconhecemos seus

45 limites concretos, arquiteturais, que são,

afinal, formais. Se pensarmos bem, todo o

nosso modo de ver o mundo, de pensar, de

entender as coisas, depende deste

conceito.

50 Em termos éticos, os antigos

entendiam o limite como autodomínio,

capacidade de controlar as próprias

paixões, de viver no meio-termo. Limite era

tudo que tanto impedia como possibilitava

55 movimentos. Qualquer ação dependia de

limites no espaço e no tempo. Mas também

dos limites externos ou internos de quem

agia.

Todo limite é uma experiência que

60 se formula na relação com o outro. Entre

mim e o outro há sempre um espaço

imponderável. Neste vazio entre “eu” e “tu”,

a melhor coisa a ser colocada é o respeito.

Se o limite é a experiência que permite

65 saber até onde se pode chegar e, com

sorte, a protetora dor de saber aonde não

se deve ir, o respeito é a única de todas as

experiências que não pode ter limite.

Porque respeito é o modo de olhar para o

70 outro como algo positivo, ver nele sua

potência de ser, como alguém que, mesmo

me sendo próximo, carrega em si algo que

não pode dizer sobre si mesmo para mim,

e, por isso mesmo, sempre será intocável.

Adaptado de marciatiburi.com.br.

Dentre os valores da palavra “se”, está o de indicar uma condição, o que é observado em:


A

Muitas vezes nem sabemos, os responsáveis, do que se trata. (l. 26-28)


B

Para saber o que algo é e onde está se usa a noção do limite. (l. 41-42)


C

Não podemos saber o que é uma casa se não reconhecemos seus limites (l. 43-45)


D

a protetora dor de saber aonde não se deve ir, (l. 66-67)