Atenção: Considere
o
texto abaixo para
responder às questões de números 1 a
5.
Ao contrário do que se imagina, o
processo
de envelhecimento populacional resulta do
declínio da fecundidade e não do
declínio da mortalidade. Uma população
torna-se mais idosa à medida que aumenta a
proporção de indivíduos idosos e diminui a
proporção de indivíduos mais jovens.
A
transição demográfica originou-se na
Europa e seu primeiro fenômeno foi a
diminuição da fecundidade, observada na
Revolução Industrial. Lá, o aumento na
expectativa de vida se deu graças às
melhores condições de saneamento, além do
uso de
antibióticos e de vacinas.
Na América
Latina, observa-se hoje um
fenômeno semelhante ao ocorrido na Europa,
porém, com implicações diferentes.
No modelo Europeu, ocorreu grande
desenvolvimento social e aumento de renda
significativo. Na América Latina, em
especial no
Brasil, houve um processo de urbanização sem
alteração da distribuição de renda. Entre os
anos 1940 e 1960, o Brasil experimentou
um declínio da mortalidade, mantendo a
fecundidade em níveis altos, o que gerou uma
população jovem em rápido crescimento. A
partir dos anos 1960, a redução da
fecundidade, que se iniciou nas regiões mais
desenvolvidas, desencadeou o processo de
transição
da estrutura etária. No futuro, teremos uma
população quase estável, porém mais idosa e
com taxa de crescimento baixíssima.
O
grupo etário de cinco a nove anos declinou
de 14 para 12% entre 1970 e 1990. Nesse
período, a presença de crianças
com menos de cinco anos reduziu-se de 15
para 11%. No ano 2000, cada um desses grupos
continuou a declinar. Por outro lado, o
grupo composto por pessoas acima de 65 anos
cresceu de 3,5, em 1970, para 5,5% em 2000.
Entretanto, é interessante observar o
envelhecimento que já ocorre dentro da
própria população idosa, pois 17% dos idosos
com 80 anos ou mais de idade corresponderão,
em 2050, provavelmente, a 28%.
O nível
socioeconômico pouco explica sobre a
mortalidade entre os idosos. Após os 60
anos, a expectativa de vida não varia
de modo significativo ao compararmos países
desenvolvidos e países em desenvolvimento. O
que difere um país desenvolvido de
um país em desenvolvimento como o Brasil é a
quantidade de indivíduos que irá chegar aos
60 anos, pois, após esse período, não se
observa diferença entre os países.
A
mortalidade no Brasil começou a diminuir
nos anos 1940. Entretanto, a taxa de
fecundidade somente iniciou a sua queda
cerca de 30 anos depois. Na Europa, a queda
na taxa de fecundidade iniciou-se no final
do século XIX, cem anos após a queda na
taxa de mortalidade; assim, os países
europeus tiveram mais tempo para se
preparar. No Estado de São Paulo,
atualmente, a taxa de
fecundidade já atinge níveis de reposição. O
ciclo de envelhecimento que na Europa durou
quase dois séculos terminará aqui em
meados do próximo século, ou seja, na metade
do tempo. Em 2025, o Brasil terá cerca de 32
milhões de pessoas com mais de 60
anos. Entre outras coisas, isso significa
que o perfil de doenças da população mudará
de modo radical, de modo que a capacidade
funcional surge como um novo paradigma de
saúde.
(Adaptado
de: NASRI, Fábio. Einstein. 2008;
6 (Supl 1): S4-S6)