Texto para
responder
às questões de 37 a
40.
Vamos acabar com esta folga
O negócio aconteceu num
café. Tinha uma
porção de
sujeitos, sentados
nesse café, tomando umas e outras. Havia
brasileiros, portugueses, franceses,
argelinos, alemães, o
diabo.
De repente, um alemão forte
pra cachorro
levantou e
gritou que não via
homem pra ele ali dentro. Houve a
surpresa inicial, motivada pela provocação e
logo um turco, tão forte
como o alemão, levantou-se de lá e
perguntou:
— Isso é
comigo?
—
Pode ser com você também — respondeu o
alemão.
Aí então
o
turco avançou para o alemão e levou uma
traulitada tão
segura que caiu no chão. Vai daí o alemão
repetiu que não havia homem ali dentro pra
ele. Queimou-se então um
português que era maior ainda do que o
turco.
Queimou-se e não conversou. Partiu para cima
do alemão e não teve
outra sorte. Levou um murro debaixo dos
queixos
e caiu sem sentidos.
O
alemão limpou as mãos,
deu
mais um gole no chope e fez ver aos
presentes que o que dizia era certo. Não
havia
homem para ele ali naquele café. Levantou-se
então um inglês troncudo
pra cachorro e também entrou bem. E depois
do inglês foi a vez de um francês, depois de
um norueguês etc. etc.
Até que, lá do canto do café levantou-se um
brasileiro magrinho, cheio de picardia para
perguntar, como os
outros:
— Isso é comigo?
O
alemão voltou a dizer
que
podia ser. Então o brasileiro deu um
sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando
assim pro lado do alemão. Parou perto,
balançou o corpo e... pimba! O
alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com
tanta força que quase desmonta o
brasileiro.
Como,
minha senhora?
Qual é o fim da história? Pois a história
termina
aí, madame. Termina aí que é pros
brasileiros perderem essa mania de pisar
macio e pensar que são mais
malandros do que os outros.
(PONTE
PRETA, Stanislaw. In: O melhor de Stanislaw
Ponte Preta, 2. Ed.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.)