COM BASE NA LEITURA DO TEXTO ABAIXO, ASSINALE A ALTERNATIVA QUE COMPLETA CORRETAMENTE AS QUESTÕES DE 01 A 09.
O mundo em três polegadas
Ruy Castro
- Semana passada, no complexo ato de pendurar um quadro, dei sem
- querer uma martelada no dedão. Passadas as bufadas e imprecações de praxe,
- pensei em como aquela era uma atividade de risco para um instrumento tão rico e
- delicado: o dedo polegar. Por coincidência, no dia seguinte, li na Folha a
- candente defesa da psicanalista Anna Veronica Mautner ("Equilíbrio", 10/1/2012)
- sobre este órgão que ameaça ficar obsoleto, desbancado por seu vizinho, o
- indicador.
- Durante milhares de anos, diz Anna Veronica, o polegar opositor nos
- permitiu pegar, agarrar, puxar, pinçar, escrever, desenhar, colorir, dobrar,
- aparafusar, medir, acariciar etc. e, digo eu, fazer aquele sinal de positivo ou
- negativo. Foi o polegar que promoveu a pata à mão, e deu no que deu. Quanto ao
- indicador, só servia, até bem pouco, para furar bolos e dedurar pessoas.
- Agora, com o avanço da tecnologia, a vida parece se resumir a digitar
- teclas de uma maquininha - às vezes, uma única tecla -, e ela faz o resto. Tal
- gesto, de fato, é mais apropriado para o indicador. Anna Veronica se pergunta
- que humanidade nascerá do uso obsessivo desse dedo. E propõe que as escolas
- continuem a tentar adestrar as crianças para o uso da mão inteira, antes que os
- robôs assumam de vez as funções desta.
- Estou solidário com Anna Veronica e estendo minha preocupação à
- crescente desnecessidade do ser humano de enxergar ao longe. Bilhões de
- pessoas passam agora o dia de olhos fixos numa telinha de três polegadas, a
- uma distância pouco maior que seus narizes. O horizonte ficou a 5 cm. O
- universo circundante deixou de existir, ou só existe para ser "acessado" via
- telinha. Tudo se resolve nela
- Órgãos pouco usados se atrofiam, como se sabe. Ou essa lei deixará de
- valer, ou vem por aí uma vasta geração de míopes.
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/20948-o-mundo-em-tres-polegadas.shtml>.
Acesso em: 25 fev. 2012