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este texto para responder às questões
de 21 a 28.
Conversinha mineira
— É bom mesmo o cafezinho
daqui, meu amigo?
— Sei
dizer não senhor: não tomo café.
— Você é dono do café, não sabe dizer?
— Ninguém tem reclamado dele não
senhor.
— Então me dá café
com leite, pão e
manteiga.
— Café com leite
só se for sem leite.
— Não
tem leite?
— Hoje, não
senhor.
— Por que hoje não?
— Porque hoje o leiteiro
não veio.
— Ontem ele veio?
— Ontem não.
— Quando é que ele vem?
— Tem dia certo não senhor. Às vezes
vem, às
vezes
não vem. Só que no dia que devia vir em
geral
não vem.
— Mas ali fora está
escrito “Leiteria”!
— Ah,
isso está, sim senhor.
—
Quando é que tem leite?
—
Quando o leiteiro vem.
— Tem
ali um sujeito comendo coalhada. É
feita
de quê?
— O quê: coalhada? Então o
senhor não sabe
de
que é feita a coalhada?
—
Está bem, você ganhou. Me traz um café com
leite sem leite. Escuta uma coisa: como é
que vai indo
a política aqui na sua cidade?
— Sei dizer não senhor: eu não sou
daqui.
— E há quanto tempo o
senhor mora aqui?
— Vai para
uns quinze anos. Isto é, não
posso
agarantir com certeza: um pouco mais, um
pouco
menos.
— Já dava para saber
como vai indo a
situação,
não acha?
— Ah, o senhor
fala da situação? Dizem que
vai
bem.
— Para que partido?
— Para todos os partidos,
parece.
— Eu gostaria de
saber quem é que vai ganhar
a
eleição aqui.
— Eu também
gostaria. Uns falam que é um,
outros
falam que outro. Nessa mexida... — E o
prefeito?
— Que é que tem o
prefeito?
— Que tal é o
prefeito daqui?
— O
prefeito? É tal e qual eles falam
dele.
— Que é que falam
dele?
— Dele? Uai, esse trem
todo que falam de
tudo
quanto é prefeito.
— Você,
certamente, já tem candidato.
— Quem, eu? Estou esperando as
plataformas.
— Mas tem ali o
retrato de um candidato
dependurado
na parede, que história é essa?
— Aonde, ali? Uê, gente: penduraram
isso
aí...
SABINO,
Fernando. Os melhores contos. 12 ed.
Rio de Janeiro: Record,
2010. 217-218.