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Com a expressão “intrincada selva selvagem”, Mario Quintana...

Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 08.


Clareiras


Se um autor faz você voltar atrás na leitura, seja de um período ou de uma simples frase, não o julgue profundo demais, não fique complexado: o inferior é ele.

A atual crise de expressão, que tanto vem alarmando a velha-guarda que morre mas não se entrega, não deve ser propriamente de expressão, mas de pensamento. Como é que pode escrever certo quem não sabe ao certo o que procura dizer?

Em meio à intrincada selva selvagem de nossa literatura encontram-se às vezes, no entanto, repousantes clareiras. E clareira pertence à mesma família etimológica de clareza… Que o leitor me desculpe umas considerações tão óbvias. É que eu desejava agradecer, o quanto antes, o alerta repouso que me proporcionaram três livros que li na última semana.

Porque, ao ler alguém que consegue expressar-se com toda a limpidez, nem sentimos que estamos lendo um livro: é como se o estivéssemos pensando.

E, como também estive a folhear o velho Pascal, encontrei providencialmente em meu apoio estas suas palavras, à pág. 23 dos Pensamentos:

“Quando deparamos com o estilo natural, ficamos pasmados e encantados, como se esperássemos ver um autor e encontrássemos um homem”.

(Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo. Adaptado)


Com a expressão “intrincada selva selvagem”, Mario Quintana expressa, em sentido


A

figurado, a ideia de que nossos escritores se dedicam a temas rudes e com vocabulário vulgar.


B

figurado, a ideia de que a produção literária brasileira precisa buscar temas mais civilizados.


C

figurado, a ideia de que nossa literatura é um emaranhado de textos carentes de clareza.


D

próprio, a ideia de que não é possível produzir boa literatura num país marcado pela selvageria.


E

próprio, a ideia de que é preciso entender nossa realidade para produzir uma legítima literatura nacional.