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TEXTO I
A qualidade do ar não pode estar na mesa para negociação
1 A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 92% da população mundial esteja exposta aos riscos da
2 poluição do ar interna e externa todos os dias, resultando em cerca de uma morte a cada dez (11,6% de todas as mortes em nível
3 global), totalizando 7 milhões de mortes anuais, das quais 600 mil crianças. No Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde
4 (Opas) revelou 51 mil mortes anuais associadas ao ar tóxico, ultrapassando o número de mortes por acidente de trânsito.
5 Recentemente, em 2019, ano em que a ONU elencou a poluição atmosférica e a mudança do clima, juntas, como o
6 principal tema de atenção de atuação para a saúde, pesquisadores das universidades de Chicago, Columbia e Estadual de Nova
7 York concluíram que o ar contaminado pode causar o mesmo impacto de fumar um maço de cigarro por dia em grandes regiões
8 metropolitanas.
9 Não à toa, o alerta confirma o dado preocupante da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico
10 (OCDE), que avaliou a poluição (em todas as suas formas) como o maior risco ambiental para a saúde humana na atualidade,
11 ultrapassando o número de mortes por água contaminada e por doenças transmitidas por vetores – tais como a dengue e a febre
12 amarela.
13 Durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 24), que ocorreu em dezembro de 2018
14 na Polônia, a OMS expôs que os custos relativos ao cumprimento das metas do Acordo de Paris para todos os países serão
15 compensados pelos benefícios gerados para a saúde da população. Na perspectiva das mudanças climáticas, caso os países
16 cumpram o Acordo de Paris, 1 milhão de vidas serão salvas por ano até 2050 com a redução dos poluentes. Assim, os ganhos
17 em saúde representam cerca do dobro do custo para o cumprimento das ações de mitigação propostas no acordo. Isso significa
18 afirmar que as ações de mitigação de gases do efeito estufa (GEE) geram impactos imediatos e possíveis de serem mensurados
19 por pesquisas que obtêm estimativas reais do número de vidas salvas e da economia gerada com a melhoria da qualidade do ar
20 nas cidades.
21 Também em 2019, visando estabelecer metas e ações práticas para o combate às emissões, a OMS, o Programa das
22 Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Coalizão Clima e Ar Limpo anunciaram a Iniciativa Ar Limpo, para mobilizar
23 as lideranças mundiais em defesa do tema a uma série de medidas até 2030, como a introdução de políticas claras de qualidade
24 do ar e mudanças climáticas, que permitam alcançar os valores seguros de qualidade do ar para respirar – indicados pela OMS
25 –; a viabilização das mudanças de motores de veículos para sistemas decorrentes de energias limpas; e o investimento em
26 estudos de ganhos em saúde e custos evitados pela realização de políticas em defesa do ar limpo.
27 Diante de todo esse cenário, o Brasil irá na contramão dos demais países caso não avance em suas políticas de controle
28 de emissões e monitoramento da qualidade do ar.
29 Vale destacar que o esforço nacional para gerir a qualidade do ar teve início em 1989, com o Programa Nacional de
30 Controle da Qualidade do Ar (Pronar), estabelecido pela Resolução Conama 05/1989, em meio ao crescente debate acerca das
31 questões ambientais. Contudo, esse primeiro avanço teve baixa adesão e efetividade. Embora tenha sido instituída a rede de
32 monitoramento da qualidade do ar no país, apenas sete unidades federativas dispõem de equipamentos para medir a poluição
33 em seu território. Contudo, grande parte está na região Sudeste, que concentra mais de 93% delas. Quase metade (47,7%) das
34 estações no país pertence a empreendimentos privados para fins de licenciamento ambiental. Ademais, somente dois estados,
35 São Paulo e Espírito Santo, dispõem da comunicação da qualidade do ar em tempo real à população.
36 Em outras palavras, completando trinta anos de existência este ano, o regulamento que rege o controle da qualidade do
37 ar no Brasil não apenas está defasado, como também foi ineficiente para construir a rede nacional de monitoramento da qualidade
38 do ar e garantir seu controle e conhecimento a respeito. Exatamente como se o comparássemos a uma doença: sem o
39 diagnóstico, não há a preocupação, muito menos o devido tratamento.
40 (...)
(Camila Acosta Camargo e Evangelina Vormittag.
Le Monde Diplomatique Brasil, edição 149, dezembro de 2019.)
...que permitam alcançar os valores seguros de qualidade do ar para respirar... (linha 24)
Assinale a alternativa em que, alterando-se o segundo verbo do segmento acima, tenha-se mantido correção gramatical no tocante à regência verbal ou nominal.
que permitam aspirar os valores seguros de qualidade do ar para respirar
que permitam lembrar dos valores seguros de qualidade do ar para respirar
que permitam almejar aos valores seguros de qualidade do ar para respirar
que permitam assistir aos valores seguros de qualidade do ar para respirar