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O poema a seguir servirá como base para responder as questões de 06 a 10:
A cabeça do corvo
Na mesa, quando em meio à noite lenta
Escrevo antes que o sono me adormeça,
Tenho o negro tinteiro que a cabeça
De um corvo representa.
A contemplá-lo mudamente fico
E numa dor atroz mais me concentro:
E entreabrindo-lhe o grande e fino bico,
Meto-lhe a pena pela goela a dentro.
E solitariamente, pouco a pouco,
Do bojo tiro a pena, rasa em tinta…
E a minha mão, que treme toda, pinta
Versos próprios de um louco.
E o aberto olhar vidrado da funesta
Ave que representa o meu tinteiro,
Vai-me seguindo a mão, que corre lesta.
Toda a tremer pelo papel inteiro.
Dizem-me todos que atirar eu devo
Trevas em fora este agoirento corvo,
Pois dele sangra o desespero torvo
Destes versos que escrevo.
GUIMARAENS, Alphonsus de. A cabeça de corvo. In:_____Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001.
Sobre o poema:
1. O poeta faz analogia entre um tinteiro e a cabeça de um corvo.
2. É um poema metafórico.
3. É um poema metalinguístico que indica um lado ditoso do eu poético diante de sua postura existencial.
4. O poema é marcado pela inexorabilidade da tristeza.