Uma tomatada no colesterol
Cientistas constatam que o tomate combate
as
consequências do excesso de gorduras no
sangue
Mônica Tarantino
A medicina procura incansavelmente
opções
para
proteger o organismo dos danos impostos
pelo colesterol
elevado, como o risco aumentado de ter um
acidente
vascular cerebral (AVC). Uma das
alternativas pode ser
o consumo de porções mais generosas de
licopeno, um
nutriente encontrado em boas quantidades
no tomate cozido
(o calor aumenta sua biodisponibilidade) e
em vegetais
vermelhos. A conclusão é de um grupo de
cientistas da
Universidade do Leste da Finlândia. Eles
mediram os níveis
de licopeno no sangue de 1031 homens com
idades entre
46 e 65 anos e constataram, depois de mais
de uma década
de acompanhamento, uma redução de até 59%
nas chances
de AVC entre os voluntários da pesquisa
que mantiveram
níveis mais elevados da substância.
A
diminuição observada pelos pesquisadores
foi
atribuída à ação antioxidante do licopeno,
capaz de
preservar as moléculas do colesterol e
outros tecidos
dos estragos promovidos pela elevação da
quantidade de
radicais livres (moléculas responsáveis
por uma espécie
de enferrujamento dos tecidos) no
organismo. “Uma dieta
rica em frutas e vegetais está associada a
menor risco de
derrames cerebrais”, concluiu Jouni
Karppi, coordenador
da pesquisa com o licopeno. O levantamento
finlandês não
avaliou, porém, quanto tomate é necessário
comer para
usufruir da salvaguarda cardiovascular e
tampouco os
riscos dos agrotóxicos usados para seu
cultivo. Um dos
motivos pode ser o fato de que os países
escandinavos estão
entre os maiores produtores, consumidores
e exportadores
de comida orgânica, cultivada sem
agrotóxicos.
O
tomate também pode elevar o bom
colesterol.
Pesquisadores da Universidade da
Califórnia, nos Estados
Unidos, criaram um tipo geneticamente
modificado para
conter um peptídeo chamado 6F (uma parte
da proteína),
presente na fração boa do colesterol
humano. Em
laboratório, ratinhos alimentados com esse
tomate rico em
6F apresentaram níveis mais altos de
colesterol bom, menos
aterosclerose (acúmulo de placas de
gordura no interior das
artérias) e menores quantidades de ácido
lisofosfatídico,
uma substância que pode acelerar a
formação das placas
nas artérias em modelos animais. “Como os
limites do
colesterol considerados seguros são cada
vez mais baixos,
estudos como esses só reforçam a ideia de
que a comida
pode ser uma excelente aliada nessa
batalha. É algo que
as pessoas precisam lembrar todo dia na
hora de fazer o
prato”, observa o cardiologista Múcio
Oliveira, do Instituto
do Coração da Universidade de São
Paulo.
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